Racismo Ambiental

O descarte inadequado
No Brasil e em outros países em desenvolvimento, é comum que depósitos irregulares de lixo eletrônico, aterros mal estruturados e atividades de reciclagem informal estejam localizados em áreas periféricas ou em territórios ocupados por populações vulneráveis. Nessas regiões, a queima de cabos, a desmontagem manual de equipamentos e o contato direto com metais pesados expõem moradores a substâncias tóxicas como chumbo, mercúrio e cádmio, aumentando os riscos de doenças respiratórias, neurológicas e outros problemas de saúde. Muitas vezes, essas práticas envolvem trabalho informal, incluindo trabalho infantil, reforçando ciclos de desigualdade social e econômica.
Para além da questão ambiental…
Além disso, o racismo ambiental também se expressa na falta de acesso à informação, à coleta seletiva e a políticas públicas eficazes. Enquanto bairros centrais costumam contar com pontos de coleta e campanhas de conscientização, comunidades periféricas frequentemente ficam à margem dessas iniciativas. Assim, o problema do lixo eletrônico deixa de ser apenas ambiental e se torna social e racial, evidenciando que a crise do e-lixo não afeta todos da mesma forma.

Políticas de enfrentamento
Enfrentar o racismo ambiental relacionado ao lixo eletrônico exige mais do que soluções técnicas: requer justiça ambiental. Isso significa garantir políticas públicas inclusivas, fiscalização rigorosa, ampliação da logística reversa e educação ambiental acessível a todos os territórios. Somente ao reconhecer que os impactos ambientais estão atravessados por desigualdades históricas será possível construir um modelo de gestão de resíduos eletrônicos que seja, de fato, sustentável e socialmente justo.
